
Pessoas e suas vidas, de um lado a outro da avenida .
A avenida eterna de nosssas vidas.
Se elas soubessem o que as aguarda e o que as cerca circulariam ou não, por essa avenida eterna?
Encruzilhadas, rituais do habitual desfeitos por mãos "enferrugadas", de unhas quebradas.
Um erro instalado como um parasita, sugando soluções e cegando os horizontes.
Prédios se erguem, cinzentos, silenciosos e frios, como guardiães de nosso declínio, nossa degeração.
Mas a vida continua como as linhas alvas do horizonte sob a maior Luz que puderam inventar.
Mas essa Luz cegou todos e ninguém sabe de mais nada, andando como baratas tontas e sem destino, sempre em busca
de satisfação momentânea de necessidades empurradas por comerciais. Resumem suas vidas a andar olhando para frente, só vêem as luzes de neon, letreiros e placas que indicam ofertas e liquidações, promoções e enganações. Esquecem-se das coisas que não se pode comprar.Só vêemo que aparecer na altura de seus olhos. Essas pessoas não têm tempo de para um momento e olhar para cima. Esbarram em você e te derrubam, sem saber. Olham pro chão, sem saber que o céu acima delas é estrelado como naquele quadro do Van Gogh. Que pode nem ser diretamente assim, mas funcionar como metáfora, sem colocar nada fora.
Pessoas e suas vidas, de um lado a outro da avenida. Onde foi parar a consciência? A noção de humanidade e de proximidade?
Seriam ilusões para manter quem enxerga o horizonte esperançoso de um dia encontrá-lo? Há ou não o horizonte? A avenida é eterna? Quanto custa uma vida humana, e quanto custa o respeito? Cada julgamento é caro, um preço alto que paga quem está do outro lado. Dívidas e parcelas a vencer, sempre devendo mais do que ganhamos, sempre pegos pela rede do grande pescador.
A vida é assim, cheia de histórias mal contadas de fim incerto, injusto e desonesto.