O Sono dos Justos
Na madrugada fria, no escuro e na presença solitária de si mesmo, estava deitado no chão, imaginando as grades distâncias que se criam entre as pessoas.
"Seres humanos,humpf".
Pensar doía. Estava mentalmente exausto, pois a semana e seu conteúdo tinham exigido talvez um pouco demais.Talvez não. "Cada um sabe a Cruz que carrega"
Errar é uma dádiva, um luxo que os humanos se dão. Esse não podia. Estaria cego diante de problemas cuja magnitude Ele mesmo havia alimentado? Uma possibilidade que não deveria ser descartada, e não havia sido.
Queria que o Mundo lhe desse uma trégua. que o Tempo parasse para que ele pudesse regenerar cada ferimento, cada músculo sobrecarregado, a respiração que lhe era difícil fosse restaurada e que seu vigor fosse devolvido. O resultado de seus excessos era para ele seu maior castigo. Sua mente, a um passo da queda.
Controle. Um dom, uma maldição? Porque preocupar-se com isso, se outros ao seu redor simplesmente soltavam as rédeas e deixavam ir? Porque importar-se tanto com o que os outros pudessem pensar a seu respeito? Perguntas, respostas.
Nesse momento, vinha em sua cabeça , num burburinho de vozes dissonates e contraditórias uma voz mais firme, como um momento de clareza, que o dizia algo.
Sabia o que devia fazer. Sempre soube. Mas a decisão era difícil, havia muito em jogo.
"Algumas oportunidades surgem em seu caminho - ele concluiu - e não dão tempo para que você pense. Ou você pega, ou já era." Queria ser outra pessoa de vez em quando. Uma força da natureza, uma árvore, a terra ou o ar. Talvez um animal, seria mais simples ao seu modo de ver. Um momento ruim é sempre um momento ruim, a sucessão dos fatos pode dizer se é apenas uma Má fase, que pode passar - ou não. Precisava erguer-se contra todos os males que o afligiam.
Mas naquele momento não devia, nem podia. Precisava recuperar as forças que ainda lhe restavam, antes do momento decisivo.
Ali, restava a ele apenas o sono dos justos
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